sábado, fevereiro 17, 2007

A Igreja utiliza a sua influência para dissuadir

Realmente, de vez em quando apercebo-me do quão naif eu sou... Sabem quando têm aquela sensação de que nada mais vos pode surpreender vindo daquela pessoa e que depois, algo totalmente chocante e inesperado acontece? Pois é, é o caso.
Eu pensava que a Igreja nada mais iria dizer de surpreendente acerca da despenalização do aborto, sobretudo porque o SIM já havia ganhado, mas enganei-me:
Estava deitada no sofá a pensar "Enfim férias... Não terei nada para fazer senão relaxar... Não vou ter de escrever tão regularmente no Cantinho da Chatarina" etc, quando ligo a televisão e ouço o seguinte vindo da Igreja: «O voto honesto é o voto NÃO». Como ousa a Igreja influenciar desta maneira os Portugueses?! Como?! Não tem justificação possível, cada qual vota o que quiser, independentemente da sua religião! Agora por se ser cristão tem-se obrigatoriamente de pensar como a Igreja pensa? Ou pior: votar no que a Igreja defende? Lá por se acreditar em tal deus não quer dizer que vivamos em função dele, certo?
Estava mais tarde a dar uma voltinha no YouTube, quando vi a resposta de um certo user a um dos meus comentários sobre o Aborto. Eis o que ele escreveu:
«Amiga c*... talvez não saibas ou nunca ninguém te disse: as convicções religiosas não são para ser vividas só numa contemplação... mas têm a ver com as escolhas de cada dia... é um modo de ser e de agir... assim o fez Jesus!»
Mas é que mundo é que vivemos, caramba? Só tem de ser assim, se nós quisermos que assim seja! Quando uma pessoa adere a uma religião, tem só que ver com as suas convicções, e só a ela lhe cabe de decidir como viver! É um direito que temos por lei! Não quero saber se vou para o Inferno ou para outro sítio qualuqer por estas palavras que aqui menciono, isto é uma democracia, posso dizer tudo o que me apetecer: não insulto ninguém, não vou contra nenhuma lei, apenas tento criticar tudo o que, no quotidiano acontece, e partilhando as minhas ideias com outras pessoas e se querem saber, eu estou-me nas tintas se as pessoas não são da mesma opinião, estão no direito delas! Mas o que me irrita profundamente é, utilizar-se a sua influência, para dissuadir as pessoas de certas coisas, como a Igreja o fez (e faz) e é isso que se tem de combater.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Não ficamos por aqui!

Chegou-me ontem, dia 14 de Fevereiro (dia de São Valentim) uma mensagem de e-mail do Movimento dos Jovens pelo sim(http://jovenspelosim.wordpress.com/ ou www.jovenspelosim.org ), que diz o seguinte:

"No dia 11 de Fevereiro de 2007, chegou ao fim uma situação que nos envergonhava a todos. Os Jovens, que foram quem mais se absteve em 1998, foram quem mais votou agora.
Pois foi, ganhámos. Ganhámos porque participámos, porque fizemos uma campanha intelectualmente honesta, porque o voto jovem foi decisivo e, sobretudo, porque contribuímos para o começo do fim do aborto clandestino em Portugal.
Passados os festejos (que os houve, pois claro; só os hipócritas é que não comemoram as suas vitórias, e para nós a dignidade da mulher é algo que deve ser celebrado condignamente), continuamos por aqui. Porque a educação sexual nas escolas ainda não existe, porque a contracepção tem de ser uma realidade acessível, e porque uma sexualidade informada e consciente é um direito e a única maneira de combater a gravidez entre as adolescentes. E porque teremos uma palavra importante a dizer aquando da regulamentação da lei sobre interrupção voluntária da gravidez.
Por isso para nós o dia seguinte não é tempo de balanços e despedidas. É antes a altura ideal para lembrar que é a partir de agora que se prova que afinal somos todos pela vida, pela informação, pela educação. Seja obviamente bem-vindo quem vier por bem."

Concordo plenamente com tudo o que dizem, até porque o facto de ainda não haver Educação Sexual em todas as escolas, sabendo que há mães cada vez mais novas, por não saberem de meios de contracepção, é um ESCÂNDALO!

terça-feira, fevereiro 13, 2007

YouTube

Muito sinceramente pensei que depois de dia 11 de Fevereiro não iria acontecer algo de muito interessante para relatar, mas depois percebi que isso é impossível, sendo Portugal um país polémico, e que digamos que há 99,99% de hipóteses de se suceder algo, que em breve nos fará esquecer a questão da despenalização do aborto. Porém, enquanto estou à espera desse acontecimento, escrevo-vos sobre o YouTube (www.youtube.com)
Para aqueles que não sabem, passo a explicar: o YouTube é um site no qual se pode pôr vídeos, partilhando-os com toda a gente, ou pura e simplesmente, com um número restrito de pessoas. Ora, este site é adorado por uns e não tanto por outros, pois apesar de dar a oportunidade às pessoas de se exprimirem em frente a uma câmara, mostrando-o a quem quiserem, também é utilizado para pôr filmes, séries, novelas, etc..., não respeitando os direitos de autor. Apesar de estar nas regras do site não se poder pôr esse tipo de vídeos, a maior parte das vezes, não é respeitado.
Para terem uma ideia, há talentos no YouTube, que deviam ser aproveitados, por exemplo:

http://www.youtube.com/watch?v=suUoYEl_a4A&NR Há também uns que compõem as suas próprias músicas:
http://www.youtube.com/watch?v=2nfHJR9U3XQ

Estes são apenas exemplos, o YouTube é um mundo em que se pode partilhar tudo o que quisermos com os outros e vermos o que os outros têm para nos mostrar.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Século XXI, nice to meet you!

Finalmente sentimos que estamos no século XXI, não é? Tudo isto acabou: as guerras partidárias (relativamente ao aborto, é claro), as campanhas, em que nos agredíamos mutuamente... Enfim, parece que Portugal estava "um tanto" atrasado em relação aos outros países, como se vivesse ainda no tempo jurássico... Somos os primeiros para certas coisas, para as coisas pejorativas então, somos de certeza os pioneiros... Mas para as que realmente importam, pelas que vale realmente a pena lutar... estamos sempre em atraso... Muitas vezes me tentei convencer que em todos os governos há promessas não cumpridas, projectos inacabados, etc... porém, se repararmos bem, não temos de nos guiar pelos outros, nós só mudamos depois dos outros terem mudado, nunca podemos ser nós a tomar a iniciativa. E a gora pergunto-vos: porquê?

domingo, fevereiro 11, 2007

Vitória do SIM!

O SIM ganha com uma vantagem um pouco mais elevada do que o previsto! O engenheiro José Sócrates, tal como tinha dito anteriormente, hoje declarou que apesar de menos de 50% das pessoas que estão recenciadas não ter votado, o que é uma autêntica vergonha, se iria respeitar a vontade dos portugueses: neste caso o SIM!
Há oito anos as pessoas não votaram, segundo dizem, por causa das férias. Este ano, voltou a passar-se o mesmo, ou seja, abstenção de mais de 50% das pessoas recenseadas. Só que este ano o pretexto, evidentemente, é outro: o mau tempo! Pois eu digo a essas pessoas, que outras, atravessaram o país inteiro só para votar e que, realmente devem ter uma sensação de ter sido em vão, pois os outros cidadãos não usufruem do seu direito ao voto. Antes, era totalmente contra o facto de em certos países ser-se obrigado a votar, mas agora estou cada vez mais com dúvidas... Não se lutou para que a despenalização do aborto não fosse uma decisão apenas entre partidos? Então depois de se atingir esse objectivo deita-se fora a possibilidade de votar, assim sem mais nem menos?

Dia 11 finalmente chegou!

Já faz algum tempo que eu ando a escrever sobre a despenalização do
aborto neste blog, criticando certas opiniões etc... Mas finalmente chegou o dia, em que se vai decidir se o aborto vai ser despenalizado!
Para mim ou das duas uma:
- ou o aborto não é despenalizado e a lei tem obrigatoriamente de ser aplicada, punindo a mulher que se sujeita a tal (porque estou farta da hipocrisia com que esta lei é tratada).
- ou o aborto é despenalizado e aí tem de se modificar a lei, para que jamais uma mulher tenha de se sujeitar a condições péssimas para abortar (ou ter de ir a Espanha, só para o fazer). E também de ser punida por praticá-lo.

Já sabe, a escolha é sua, está nas suas mãos, não importa se vota sim ou vota não, pense bem e vote, para contribuir para a diminuição da abstenção!