Nunca fui de fotografias. Não me refiro a tirá-las. Nem a estar nelas. Nem a vê-las. Aliás, como a maioria, tenho facebook. Seria hipócrita da minha parte dizer que as fotografias não me dizem nada. Claro que dizem. Dizem a toda a gente. O que me falta é arte no momento de fotografar. No momento de apreciar até. Mas tudo isto não teria importância para uma amadora, no sentido de quem ama (inexperientemente). Quem não tem uma câmara hoje em dia? Se não tiver um objeto específico para o efeito, tem num computador, num telemóvel - as tecnologias juntam-se em múltiplas combinações para que não nos falte nada. Ora, desde a era das máquinas analógicas que não pegamos nas fotografias e as guardamos em álbuns, para mais tarde as mostrarmos a visitas e, quiçá, à próxima geração. Não sou de fotografias, mas reconheço que a espera pelo rolo revelado era algo mágico, deixava-nos na expectativa, como se não tivéssemos sido nós os autores daquelas memórias... Como se as memórias no papel nos fossem surpreender. Agora, a espera é curta, só facilidades. E nada tem de mal o fácil, o pragmatismo é uma virtude. Todavia, mal vemos as cento e três fotografias do jantar do Francisco (que antes eram vinte e quatro, limitação do rolo), já as mostrámos ao mundo, no nosso mural virado para aqueles amorosos estranhos e alguns amigos. A Imagem nunca foi tão valorizada e nunca viajou tão rápido. Nunca foi tão abrangente. Nunca foi tão inútil.
Enfim, que sei eu? Nunca fui de fotografias.
quarta-feira, maio 16, 2012
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