sábado, dezembro 22, 2012

Pudor



Tenho um pudor que não me cabe
Sou audaciosa
Digo aquilo que quero
Vai para o caralho
Ou gosto de ti
Mas quando lhe chamo arte
Não posso fazer merda
Estou a mostrar-te
O bonito que há em mim


quinta-feira, dezembro 20, 2012



A minha cabeça está vazia às vezes, mas de tão cheia que está… Parece que o meu cérebro se compartimenta, e cada área tem os seus neurónios a trabalhar para a construção de um pensamento que só a ela lhe diz respeito. Tantas reflexões e tempos e desejos diferentes. Teias de aranha que se interlaçam e se abraçam como serpentes.
As pessoas são versáteis, trata-se de sobrevivência. Mas serei eu alguma vez com X quem sou com Y? Serei eu a mesma que fui ontem, hoje? Há cinco minutos? E quando estou com X e Y ao mesmo tempo, conjugo quens sou com cada uma delas?
 Pode-se esperar tanta coisa duma pessoa, mas quando se pensa no quão pouco linear ela é, como é que isso é justo? Estabilizar na nossa cabeça um ser múltiplo e em movimento. Agarrar nos momentos que a nossa memória decidiu manter e fazer um retrato (ou talvez um “gif”). 

Cheeeese

quinta-feira, junho 14, 2012

Há dias em que penso que devia ter um jornal. Criar um jornal. O meu jornal!
Tantos pensamentos se passeiam nesta panela de pressão que é a mente, que encheriam cem páginas por minuto. Não, o que eu quero mesmo é um diário! Um calhamaço que saia de manhã, talvez completado pelo suplemento vespertino. Não. Insuficiente. Uma gravação perpétua da minha psyche, que um secretário passaria por escrito. Um invento que me permitisse apenas pensar com uma caneta na mão, de ponta assente no papel. Tudo seria registado. Para quê triagem? Para quê censuras que só nos impedem de assumir a autoria de certos pensares?
Por agora deixo-vos com estas reflexões. Foram mais polidas do que gostaria. Ainda não estou preparada. O jornal fica para amanhã...

quarta-feira, maio 16, 2012

Nunca fui de fotografias. Não me refiro a tirá-las. Nem a estar nelas. Nem a vê-las. Aliás, como a maioria, tenho facebook. Seria hipócrita da minha parte dizer que as fotografias não me dizem nada. Claro que dizem. Dizem a toda a gente. O que me falta é arte no momento de fotografar. No momento de apreciar até. Mas tudo isto não teria importância para uma amadora, no sentido de quem ama (inexperientemente). Quem não tem uma câmara hoje em dia? Se não tiver um objeto específico para o efeito, tem num computador, num telemóvel - as tecnologias juntam-se em múltiplas combinações para que não nos falte nada. Ora,  desde a era das máquinas analógicas que não pegamos nas fotografias e as guardamos em álbuns, para mais tarde as mostrarmos a visitas e, quiçá, à próxima geração. Não sou de fotografias, mas reconheço que a espera pelo rolo revelado era algo mágico, deixava-nos na expectativa, como se não tivéssemos sido nós os autores daquelas memórias... Como se as memórias no papel nos fossem surpreender. Agora, a espera é curta, só facilidades. E nada tem de mal o fácil, o pragmatismo é uma virtude. Todavia, mal vemos as cento e três fotografias do jantar do Francisco (que antes eram vinte e quatro, limitação do rolo), já as mostrámos ao mundo, no nosso mural virado para aqueles amorosos estranhos e alguns amigos. A Imagem nunca foi tão valorizada e nunca viajou tão rápido. Nunca foi tão abrangente. Nunca foi tão inútil.
Enfim, que sei eu? Nunca fui de fotografias.