terça-feira, fevereiro 16, 2010

Ilusão

« O poeta é um fingidor » diz o nosso amigo Pessoa. Não podia concordar mais! Até tenho vindo a constatar que, ainda que não tenha escrito nenhum poema digno de profunda admiração, a parte do "fingidor" se adequa a mim. Pergunto-me se todo o ser humano será um fingidor - nem que seja pela escravidão que nos impõe a sociedade. Proponho um pequeno desafio (não sei se ao leitor, se a mim): passar um dia sem mentir. Apenas um dia! À partida, não parece colocar qualquer problema. No entanto, se excluirmos as mentirinhas piedosas de que tanto gostamos, será assim tão fácil? Mais, teríamos também de ser verdadeiros connosco...
Bem sei que o que abordo aqui no blogue não é novidade mas cada vez mais me dou conta da tenuidade da fronteira entre a verdade e a mentira. Eu por exemplo não sou capaz de fazer a triagem entre o que eu classifiquei na minha cabeça como sendo verídico e que é mesmo real. É estranho pensar que a ilusão é essencial na minha vida. Jogo às escondidas comigo e a parte da busca revela ser a mais interessante. Divago e 70% do que digo é bullshit (or am I lying? Oh well, it wouldn't be the first time!).