No reino animal, parece haver uma lei implícita que todos seguem e, aparentemente, não se dão muito mal. Existe uma lógica desconhecida - pelo menos por mim. Ora, o Homem tinha de ser diferente. Eu diria que é um animal criativo, já que não obedece cegamente a instintos e tem um grande privilégio: a escolha consciente.
Apesar de parecer algo maravilhoso, também tem os seus aspectos negativos. Por exemplo, ao contrário dos animais irracionais, o Homem tem a capacidade de fazer mal intencionalmente, ou seja, fazer mal por fazer mal. Enquanto os animais conseguem comunicar de uma forma tão perfeita que nos faz admirar a Mãe Natureza (expressão curiosa, tenho a precisar), nós andamos para aqui sem rumo a chocar uns com os outros... Nós já somos complexos e ainda vêm as regras da sociedade, que visam orientar-nos, desorientar-nos ainda mais. Não são as normas de "não matar" ou "não roubar", são as normas que criámos mas que não estão escritas. De uma maneira geral, essas só nos oprimem, só nos tiram a liberdade aos poucos. Às vezes, é uma liberdade de que já não nos lembramos, uma liberdade que conhecemos em criança, quando de um tom naive perguntámos à nossa mãe « Porque é que "puta" é uma palavra feia? ». Nessa altura, não tínhamos nós ideias pré-concebidas, tínhamos uma vida toda por estrear. Sem preconceitos, sem atribuir conotações perversas a palavras. Mas como crescer implica maturidade, sabedoria e pudor - sobretudo pudor - tornamo-nos indivíduos de escolhas próprias. O problema é se estas se baseiam menos na "razão" e têm mais que ver com esse pudor. Eva não via problema em andar nua no Paraíso até vir a serpente... Não digo que se deva desconhecer o mal que nos rodeia, até porque para o nosso próprio bem, convém estarmos cientes dele, mas há uma clara tendência para o exagero.
É tarde e já não sei se estou lúcida... devia mesmo considerar a hipótese de virar eremita...
terça-feira, setembro 21, 2010
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