segunda-feira, novembro 07, 2011

A escrita tem perna curta

Regra geral, escrevo textos curtos (ou pego em citações de outrem... ou os dois). Não é que nunca me tenha aventurado na redacção de frases em páginas que não têm fim. Dou apenas mais valor àquela dúzia gordinha de linhas que ri dela mesma de tão pequena que é e compete com manuscritos infinitos leves do nada imenso que carregam.

terça-feira, outubro 04, 2011

É só a natureza que pretendo amar

Algo que escrevi a pensar no Mestre, personagem que me leva para um mundo distinto de tudo e que consegue aproximar-se de mim como nenhum poeta. Indivíduo inspirador. Homem-natureza ou homem-metafísica? Leva-me a deliciosas questões que me dão prazer a tentar responder e não conseguir. Belas ambiguidades quasi-frustrantes!... Belo Alberto Caeiro. Belo Fernando Pessoa.


Amo-te Alberto Caeiro
Não por me identificar contigo
Não por interiorizar a tua filosofia (que não é mais do que não filosofar)
Mas por seres um mundo autónomo
Onde o pensamento não é um requisito
E a felicidade é amar
Amar incondicionalmente; há mais bonita forma de amar?
Aceitar o que vem, sorrir ao que não vem e nos deixaria tristes… se fôssemos outros
Mas somos seres alegres, em harmonia, quando passa a brisa e nos lembra que não há nada para além dela
Tudo natureza…
Tudo excepto eu que não me fundi com ela e observo o Mestre de longe.
As lições foram sábias e por isso o aluno se prepara para aplicar teorias
E erra…

Erra com vontade de ter a atenção do mentor
Erra porque é mais fácil
Erra porque a paz é bonita
Mas os vulcões pintam mouros e morros
Erra porque ser planta é tão bom como ser gente
Mas não suplanta a contaminação meta artística física da mente

Erra e promete voltar a errar
Embora diga com um ar cândido e não-pensante « Mestre, é só a Natureza que pretendo amar»

quinta-feira, setembro 15, 2011

A cultura portuguesa são tremoços, futebol e saudade. Adoro tremoços, não digo não a um jogo de futebol e não suporto a saudade. Não a suporto porque é um sentimento que todos parecem ter com frequência e eu não. Não a suporto porque quando a minha mente decide deixar de ser diferente e dar espaço às emoções humanas, elas acomodam-se em mim e não o contrário.
Gostava de saber como reagirei à tua partida. Parece-me pouco. Não te vejo agora, não vou ver-te em cinco minutos, vejo-te em três horas, não vou ver-te em duas semanas, não vou ver-te num mês. O tempo é dono de si e temos de parar de exigir possuí-lo. Nada altera. O esforço apenas frustra.
Este não é um texto sobre a minha nostalgia. É um texto sobre nós. Eu e tu humanidade. Eu e tu Carolina.

terça-feira, agosto 02, 2011

Catarina prepara-se então para a tranquilidade que a vida parece estar disposta a oferecer-lhe; exclusivamente… só para ela… só porque tem uma força de vontade estonteante, um fogo dentro dela que ninguém sabe apagar. Prepara-se para dormir, puxa o lençol e deixa que a almofada a acaricie. O fogo não se apaga e a serenidade percebe que ali não tem lugar.

quarta-feira, julho 13, 2011

Um pensamento que me ocorreu ontem à noite...

Existe na vida de todos aquele momento em que deambulamos pelas ruas com um penteado novo que nos parece a nós mais extravagante do que aos demais. Tentamos não encarar as caras, desviamos a nossa. E, se por acaso encontramos alguém conhecido, antes que tenha a possibilidade de nos observar como deve ser ou pronunciar uma só palavra, exclamamos: «Cortei o cabelo!». A pessoa, a menos que seja cega, repararia por si. Todavia, uma erupção interior obriga-nos a precisar o óbvio, a querer contextualizar o que não pede contexto. A homossexualidade é isso.

Não temos por que afirmar, de um momento para o outro, a nossa descoberta. Avisamos apenas «Agora passo a falar de rapazes» ou «É aqui que começo a comentar raparigas» para atenuar, de certa forma, a mudança. Censuramos a novidade e o efeito surpresa. Sabotamo-nos. É a este nível que se vê a estranheza (para os outros e, sobretudo, para nós).

quarta-feira, junho 29, 2011

PROMOÇAO: uma vida de cem anos por uma morte para sempre! Contrato de Deus, pegar ou largar!

domingo, janeiro 16, 2011

Mito

«Novo Ano, vida Nova» ? Naaa, mito urbano. Queremos tanto mudar, queremos tanto fazer o que não fizemos que nos tornamos enfadonhos, eu diria. Dia 31 traz promessas e dia 1 frustração. O que ganhamos com este 2011? Uns graminhas a mais e sonhos adiados. O que vale é que este ano vou ser mais optimista, mas só começo amanhã.