sábado, novembro 13, 2010

Originalidade

Eu olho à minha volta e vejo...
Temos todos um complexo
Temos todos um desejo
uma obsessão
A busca de Originalidade consome-nos
Faz-nos observar os outros
E do nosso dicionário riscar a repetição


Tentamos constantemente destacar-nos da massa
Porém isso só nos torna mais iguais
A massa quer ser única
Ela também tem direito aos copy rights

Agimos de forma diferente porque sim
Porque nos tornamos mais apetecíveis
Porque somos melhores do que o vizinho
E temos de mostrá-lo mas enfim...

Chegamos a uma altura em que nos deixamos de artifícios manhosos
E damos por nós a desejar ser normais
Desejamos não ser a lua
Optamos por não ser mais
Do que a estrela num céu estrelado

Desconheço pessoa que não queira ser original
Mas mais raro ainda será ver alguém que não queira ser amado

terça-feira, setembro 21, 2010

O ser humano: que coisa tão estranha.

No reino animal, parece haver uma lei implícita que todos seguem e, aparentemente, não se dão muito mal. Existe uma lógica desconhecida - pelo menos por mim. Ora, o Homem tinha de ser diferente. Eu diria que é um animal criativo, já que não obedece cegamente a instintos e tem um grande privilégio: a escolha consciente.
Apesar de parecer algo maravilhoso, também tem os seus aspectos negativos. Por exemplo, ao contrário dos animais irracionais, o Homem tem a capacidade de fazer mal intencionalmente, ou seja, fazer mal por fazer mal. Enquanto os animais conseguem comunicar de uma forma tão perfeita que nos faz admirar a Mãe Natureza (expressão curiosa, tenho a precisar), nós andamos para aqui sem rumo a chocar uns com os outros... Nós já somos complexos e ainda vêm as regras da sociedade, que visam orientar-nos, desorientar-nos ainda mais. Não são as normas de "não matar" ou "não roubar", são as normas que criámos mas que não estão escritas. De uma maneira geral, essas só nos oprimem, só nos tiram a liberdade aos poucos. Às vezes, é uma liberdade de que já não nos lembramos, uma liberdade que conhecemos em criança, quando de um tom naive perguntámos à nossa mãe « Porque é que "puta" é uma palavra feia? ». Nessa altura, não tínhamos nós ideias pré-concebidas, tínhamos uma vida toda por estrear. Sem preconceitos, sem atribuir conotações perversas a palavras. Mas como crescer implica maturidade, sabedoria e pudor - sobretudo pudor - tornamo-nos indivíduos de escolhas próprias. O problema é se estas se baseiam menos na "razão" e têm mais que ver com esse pudor. Eva não via problema em andar nua no Paraíso até vir a serpente... Não digo que se deva desconhecer o mal que nos rodeia, até porque para o nosso próprio bem, convém estarmos cientes dele, mas há uma clara tendência para o exagero.
É tarde e já não sei se estou lúcida... devia mesmo considerar a hipótese de virar eremita...

sábado, maio 01, 2010

Tornaste-te em nada
Mas num nada que me faz pensar em tudo
Que faz rir e que magoa
Que magoa...

Deixaste-nos para continuares presente!
Vai! Tens de ir, vemo-nos logo.
Agora, é só caminhar em frente.
E já que a sentença provisória não é,
Que a tortura seja suprimida
Que a mágoa se dissipe


domingo, abril 25, 2010

sábado, abril 03, 2010

Nada

És nada
Olhos negros
Vão antes que...
Agarra-me agora
Dá-me o teu perfume
Caminhemos para o abismo
Onde o corpo se funde com cinzas
Onde a alma se perde para as estrelas
Onde a moral é uma miragem
Não quero ninguém
Quero nada


domingo, março 28, 2010

Admintindo verdade

Ontem:
O tomate é vermelho
A azeitona é preta

Hoje:
O tomate é amarelo.
A azeitona é vermelha.

Isto é o que muitos chamariam um "mundo de pernas para o ar". As verdades mudam. A certeza é absoluta mas em constante mutação.
Minto. Minto consciente de que minto. Minto pensando que digo a verdade. Mas minto.
Adminto portanto.

Eu não me engano
Mas tenho frequentemente a certeza de uma mentira

segunda-feira, março 08, 2010

Feliz dia da Mulher!

Que ninguém ouse dizer que este dia é um absurdo porque só revela as desigualdades entre homens e mulheres. Odeio que me digam que os 364 dias restantes são dos homens.

Sim, houve e há desigualdades - acho que ninguém as pode esconder. Mas este dia representa acima de tudo uma conquista para nós! O 8 de Março celebra uma grande batalha que tem vindo a ser travada ao longo dos anos. Se sentimos que é a única data que nos é atribuída, é porque ainda não alcançámos a igualdade. Este dia até pode lembrar-nos disto mas à partida, apenas homenageia os esforços de mulheres que acharam mal serem os homens a mandar em tudo. Incomoda-vos tal raciocínio?

Feliz dia da mulher, camaradas!

quarta-feira, março 03, 2010

Random thing I wrote

Não estás
Não escutas
Não mereces
Amar não é isto
Não pode ser
Não entales a minha mão - agarra-a
Responde mesmo que não te chame
Rio, choro, tenho feridas e cicatrizes. Estou aqui!
Diz-me que o hoje é insignificante e que o amanhã são rosas
Faz com que pense "E se não fosse por
ti"

Oh vês-me, o que é pior!
Falas-me dos teus dilemas
Eu reconforto-te mas agora digo apenas:
« Vamos falar sobre mim »


Nem sei porque escrevi isto para ser sincera. Estava aborrecida comigo e não com ninguém mas a revolta foi projetada noutra pessoa no poema (vá-se lá saber porquê!).

domingo, fevereiro 28, 2010

brindas-me com o teu sorriso soturno

e olhar apagado

eu aproximo-me

envolvo-me nos teus braços afago a tua cara

beijo-te

tu afastas-te esquivas-te empurras-me

uma facada duas

três os meus olhos são água o meu peito é sangue

tento alcançar-te e agarro um fantasma

não te amo se te não toco

não te amo se és fumo de que foges

mostra-te sei que aí estás

aparece para eu te assombrar não

desaparece de vez

não quero ser estúpida ingénua gozada não

quero conhecer a dor não

quero sangrar e não morrer

só quero voltar

ao tempo em que era princesa

ao tempo em que o coração não era traidor


não quero amar


Devo dizer que o esqueleto deste texto escreveu-se praticamente sozinho. Eu só tive de fazer de intermediária entre a minha mente e o blog. Inconscientemente é que se dizem as verdades...

A minha família do Chile está bem felizmente!

Sim era mesmo para veres

sábado, fevereiro 27, 2010

Sismo no Chile

Um sismo com intensidade de 8,8 na escala de Richter, arrasa o Chile. O epicentro situa-se a cerca de 300 km a sudoeste da capital Santiago e registam-se pelo menos 78 mortos. Confesso que estou bastante preocupada com a minha família que vive em Concepción. Esperemos que as consequências não tenham sido tão graves como se desconfia...

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Madeira

Tenho absolutamente de deixar uma mensagem de apoio aos Madeirenses que tanto sofrem neste momento. Força! Je suis de tout coeur avec vous.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Já me cansei tanto

Mas volto ao combate

Magoo-me novamente

De lá saio em carne viva

Choro

Rio da minha figura

Faço juras e juras

«Nunca nunca nunca

Esta será a última vez»

Mas não foi.


Mergulho sem determinação

Luto consciente do último resultado

Ajoelho-me peço-te que me ames

Não me importava de saber como é ser-se amado


100º mensagem! Wooo hoo! Se chegasse ao destinatário sentir-me-ia completa.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Ilusão

« O poeta é um fingidor » diz o nosso amigo Pessoa. Não podia concordar mais! Até tenho vindo a constatar que, ainda que não tenha escrito nenhum poema digno de profunda admiração, a parte do "fingidor" se adequa a mim. Pergunto-me se todo o ser humano será um fingidor - nem que seja pela escravidão que nos impõe a sociedade. Proponho um pequeno desafio (não sei se ao leitor, se a mim): passar um dia sem mentir. Apenas um dia! À partida, não parece colocar qualquer problema. No entanto, se excluirmos as mentirinhas piedosas de que tanto gostamos, será assim tão fácil? Mais, teríamos também de ser verdadeiros connosco...
Bem sei que o que abordo aqui no blogue não é novidade mas cada vez mais me dou conta da tenuidade da fronteira entre a verdade e a mentira. Eu por exemplo não sou capaz de fazer a triagem entre o que eu classifiquei na minha cabeça como sendo verídico e que é mesmo real. É estranho pensar que a ilusão é essencial na minha vida. Jogo às escondidas comigo e a parte da busca revela ser a mais interessante. Divago e 70% do que digo é bullshit (or am I lying? Oh well, it wouldn't be the first time!).

domingo, janeiro 24, 2010

Breakdown.

sábado, janeiro 23, 2010

Livros sem respostas pertinentes

Pareço uma criancinha: E quando este blogue acabar? E quando eu fizer dezassete anos? E quando eu morrer?
O Livro dos Porquês não tem as respostas que eu quero. Vamos lá tentar uma que comece pela famosa palavrinha... Hum... Porque é que estou confusa? Porque é que não consigo concentrar-me numa só coisa ao mesmo tempo? Porque é que tinha planeado ir para a cama há meia-hora e ainda estou aqui? O livro também não tem essas respostas, vou tentar o Livro das Mães...

Um início

Fui hoje ao Cinema City em Alvalade (sítio acolhedor) ver "Julie & Julia". «Devia ter tomado café» pensava eu durante uma boa meia-hora do filme. Mas afastando-nos do conteúdo da película, realizei algo importante: podia estar a fazer tanta coisa naquele momento. Até me sinto ridícula a dizer isto... Não sei como expor os meus pensamentos sem cair no eterno cliché, este cliché que tanto tento combater, este cliché que determina se um trabalho é um trabalho ou uma obra de Arte! Hoje definitivamente não estou bem... Nada do que tinha para escrever vai ser postado. Estou a exercer uma espécie de autocensura: sou tão crítica em relação a tudo (privilegiando sobretudo a originalidade) que não posso deixar de me conter.
Mas quem disse que a vida era demasiado curta, tinha razão

Um fim

É interessante ver como nada é permanente. Pode parecer uma constatação muito banal mas tudo o que começa parece ter um fim.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

A Cidade























Estes últimos dias, não tenho tido grande vontade de escrever. Mas existe ealmente algo que não posso deixar de mencionar no meu cantinho. Fui na sexta-feira passada, assistir à peça "A Cidade" em exibição no S. Luiz e devo dizer que gostei bastante. Há quem a considere um ataque à Mulher, já que através de várias cenas que têm lugar na Grécia antiga, se imagina como seria uma tomada de poder das mulheres (o resultado não é feliz). Eu pessoalmente interpretei como sendo uma demonstração de que a utopia não é aplicável. Ao fim ao cabo, realizamos que a prática difere bastante da teoria e foi o que retive essencialmente.
De resto, os actores são excelentes: Luís Miguel Cintra que é igualmente encenador, Bruno Nogueira, Maria Rueff, Nuno Lopes etc, aos quais nos habituámos a ver - quer na televisão quer no teatro - e Carolina Villaverde Rosado que se estreia no mundo da representação, brilhando na peça.
O único aspecto negativo que poderá ter é a duração. É longa mas no intervalo pode-se sempre tomar um cafezinho para "arrebitar".
Aconselho-vos mesmo, caros leitores, a dirigirem-se ao Teatro S. Luís o quanto antes. Se não concordarem com a minha crítica, agradeço que comentem.

Darei notícias, por agora no meu sono de beleza vou trabalhar........

domingo, janeiro 10, 2010

Apanhar o Vírus M é começar bem ano!

Viva, caros... conhecidos?
Venho por este meio avisar vossas Excelências, de que já estamos em 2010!! Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Pronto, já chega, fez-se a festa, agora concentremo-nos no que interessa: a minha pessoa obviamente. Eu não sei se terei apanhado o vírus M que faz com que o ser humano se apaixone loucamente por música. É que ultimamente não faço mais nada senão ir ao site da produtora "Everything is New" e falar de idas ao cinema - coisa que não choca particularmente. Admito que sou dada a obsessões mas esta em particular traz-me felicidade. Quero partilhar a minha alegria convosco e é a razão pela qual vos convido a ir aos seguintes concertos: Joan Baez, Florence + the Machine, Blood Red Shoes e Laroux. Mesmo que não gostem das canções que estes artistas interpretam, estarão na minha companhia, por isso já não é deitar dinheiro à rua!
Gostaria igualmente que ouvissem a seguinte música (é a versão acústica de "Hollywood" de Marina and the Diamonds):



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O que mais nela me encanta é a letra absolutamente fantástica e a expressividade da cantora. A Marina vai ter bastante sucesso (pelo menos assim o espero!). Ela faz parte desta nova onda de artistas que dão mais significado ao que cantam, que priviligiam o conteúdo e fazem sorrir. Uma boa maneira de começar o ano!