quarta-feira, março 21, 2007

Opus Dei

De volta às minhas pesquisas, introduzi na google as palvras "obedecer cegamente religião" e apareceram-me várias coisas, mas o que me surpreendeu mais foi um fórum, que dizia "Religião é Veneno", era sobre a "Opus Dei". Penso que todos nós já ouvimos falar dessas misteriosas palavras, nem que tenha sido no livro ou filme "O Código Da Vinci". Mas eu decidi fazer uma pesquisa mais específica, então fui à procura do verdadeiro significado, o mais neutro possível, digamos assim.

As palvras "Opus Dei", derivam do latim, e em português significa "Obra de Deus". É uma seita, fundada por José-María Escrivá de Balaguer no dia 2 de Outubro de 1928 em Espanha (Madrid). Em 14 de Fevereiro de 1930, o seu fundador compreendeu que a instituição também deveria desenvolver o seu apostolado entre as mulheres, vindo, desta a forma a ser fundada, em 14 de Fevereiro de 1943, a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, inseparavelmente unida ao Opus Dei.
Até ao dia 25 de Junho de 1944, o Opus Dei só teve um único sacerdote: o seu fundador e líder Josemaría Escrivá. Nesse dia mais três veteranos da Obra, todos engenheiros de formação, foram ordenados sacerdotes pelo Bispo de Madrid-Alcalá, D. Leopoldo Eijo y Garay. Entre eles encontrava-se Álvaro del Portillo, que mais tarde tomaria o lugar de Escrivá como Prelado do Opus Dei.

Bom, chega de história, vamos então passar à frente:

O objectivo principal da Opus Dei consiste em infiltrar-se no mundo do trabalho, especialmente os centros de poder político e as grandes empresas públicas e privadas, com indivíduos totalmente fiéis a esta seita, e comungando na ideologia ultra-conservadora desta. Conta três tipos de membros: numerários, supra-numerários, e agregados.
Os numerários, que se comprometeram a manter uma vida de pobreza, castidade e obediência, têm geralmente uma sólida formação universitária ou, alternativamente, podem ser herdeiros de grandes fortunas; vivem em casas da Obra, são celibatários, e contribuem com a totalidade do seu ordenado para a seita, sendo-lhes atribuido por esta, algum dinheiro de bolso para as despesas diárias mínimas, nomeadamente a alimentação
Os membros agregados são pessoas sem formação universitária, ou, mais raramente, licenciados que têm familiares a cargo. Não vivem alojados em casas da seita, mas assumem os mesmos compromissos que os membros numerários, efectuando também o mesmo trabalho apostólico. Alguns deles têm também como funções efectuar reparações (de graça!) nas casas da OD.
Os supra-numerários são pessoas casadas que constituem a face socialmente mais visível da organização. Apesar de lhes ser permitida uma menor disponibilidade para o trabalho apostólico, estes membros participam semanalmente em encontros com responsáveis religiosos, que asseguram a fidelidade destes membros por diversos meios, nomeadamente através da confissão. Também contribuem com importantes quantias monetárias.

Se tudo isto vos choca... parem um pouco, respirem fundo, porque o que se segue é pior...

A auto-flagelação com uma corda é uma das formas de mortificação E-N-C-O-R-A-J-A-D-A-S!
A iniciativa "Rock in Rio" é organizada pelo Opus Dei, e tem lugar em Portugal, pela primeira vez, em 2004.
O filme "O Código Da Vinci", lançado em 2006, e que causou grande polémica, é proibido em vários países asiáticos, por conter cenas de auto-flagelação, enquanto que é do conhecimento mundial que tal existe.

Passamos às citações do Escrivá de Balaguer:
(Sobre a auto-estima)
«- Nega-te a ti mesmo. - É tão belo ser vítima.» (Caminho, 175); «Quando te vires como és, há-de parecer-te natural que te desprezem.» (Caminho, 593); «Não te esqueças de que és... o depósito do lixo. (...) Humilha-te; não sabes que és o caixote do lixo?» (Caminho, 592); «Não és humilde quando te humilhas, mas quando te humilham e o aceitas por Cristo.» (Caminho, 594); «Mortificação interior. - Não acredito na tua mortificação interior, se vejo que desprezas, que não praticas a mortificação dos sentidos.» (Caminho, 181); «Onde não há mortificação, não há virtude.» (Caminho, 180).

(Sobre a dor)

«Onde não há mortificação, não há virtude» (Caminho, 180); «Bendita seja a dor. Amada seja a dor. Santificada seja a dor...Glorificada seja a dor!» (Caminho, 208).


(Sobre a liberdade)

«Obedecer... - caminho seguro. Obedecer cegamente ao superior... - caminho de santidade. (...)» (Caminho, 941); «Obedecei, como nas mãos do artista obedece um instrumento - que não pára a considerar porque faz isto ou aquilo, certos de que nunca vos mandarão fazer nada que não seja bom e para toda a glória de Deus.» (Caminho, 617); «Livros. Não os compres sem te aconselhares com pessoas cristãs, doutas e discretas. Poderias comprar uma coisa inútil ou prejudicial (...)» (Caminho, 339); «É má disposição ouvir as palavras de Deus com espírito crítico» (Caminho, 945).

A Opus Dei actua, seduzindo adolescentes em colégios católicos. Estes são inicialmente aliciados para participar em actividades em clubes católicos de tempos livres, onde jamais se menciona o nome "Opus Dei". Mais tarde, os mais brilhantes de entre estes jovens são convidados para participar em retiros de fim-de-semana, onde a endoutrinação é mais severa. Os jovens são levados a acreditar que só há felicidade no serviço de Deus, e que a única maneira correcta de servir Deus é dentro da seita Opus Dei. O papel da família é rapidamente suprimido pelo «director espiritual», que, sendo também o confessor, controla a vida privada.
Como é que não consegue ser combatida? Isto vai contra todos os nossos princípios! E mais: que é feito da liberdade? Sinceramente... não nos podemos conformar com a situação... claro que não acredito que basta estalar os dedos e o mundo passe a ser semelhante à utopia, porém... temos de começar por algum lado, as coisas não estão bem assim (nem por sombras!)...