Existe na vida de todos aquele momento em que deambulamos pelas ruas com um penteado novo que nos parece a nós mais extravagante do que aos demais. Tentamos não encarar as caras, desviamos a nossa. E, se por acaso encontramos alguém conhecido, antes que tenha a possibilidade de nos observar como deve ser ou pronunciar uma só palavra, exclamamos: «Cortei o cabelo!». A pessoa, a menos que seja cega, repararia por si. Todavia, uma erupção interior obriga-nos a precisar o óbvio, a querer contextualizar o que não pede contexto. A homossexualidade é isso.
Não temos por que afirmar, de um momento para o outro, a nossa descoberta. Avisamos apenas «Agora passo a falar de rapazes» ou «É aqui que começo a comentar raparigas» para atenuar, de certa forma, a mudança. Censuramos a novidade e o efeito surpresa. Sabotamo-nos. É a este nível que se vê a estranheza (para os outros e, sobretudo, para nós).
quarta-feira, julho 13, 2011
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