terça-feira, outubro 04, 2011

É só a natureza que pretendo amar

Algo que escrevi a pensar no Mestre, personagem que me leva para um mundo distinto de tudo e que consegue aproximar-se de mim como nenhum poeta. Indivíduo inspirador. Homem-natureza ou homem-metafísica? Leva-me a deliciosas questões que me dão prazer a tentar responder e não conseguir. Belas ambiguidades quasi-frustrantes!... Belo Alberto Caeiro. Belo Fernando Pessoa.


Amo-te Alberto Caeiro
Não por me identificar contigo
Não por interiorizar a tua filosofia (que não é mais do que não filosofar)
Mas por seres um mundo autónomo
Onde o pensamento não é um requisito
E a felicidade é amar
Amar incondicionalmente; há mais bonita forma de amar?
Aceitar o que vem, sorrir ao que não vem e nos deixaria tristes… se fôssemos outros
Mas somos seres alegres, em harmonia, quando passa a brisa e nos lembra que não há nada para além dela
Tudo natureza…
Tudo excepto eu que não me fundi com ela e observo o Mestre de longe.
As lições foram sábias e por isso o aluno se prepara para aplicar teorias
E erra…

Erra com vontade de ter a atenção do mentor
Erra porque é mais fácil
Erra porque a paz é bonita
Mas os vulcões pintam mouros e morros
Erra porque ser planta é tão bom como ser gente
Mas não suplanta a contaminação meta artística física da mente

Erra e promete voltar a errar
Embora diga com um ar cândido e não-pensante « Mestre, é só a Natureza que pretendo amar»